O poeta é um fingidor…
A exatos 123 anos nascia em Lisboa Fernando Antônio Nogueira Pessoa, ou Fernando Pessoa, considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa.
Para aqueles que desconhecem, além de excelente escritor, Fernando Pessoa foi
também um estudioso das ciências ocultas, em especial, a astrologia, conforme relato do Wikipédia:
Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz (embora não se lhe conheça qualquer filiação concreta em Loja ou Fraternidade dessas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas no Diário de Lisboa (4 de Fevereiro de 1935), contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se “No Túmulo de Christian Rosenkreutz“. Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo (de acordo com a sua certidão de nascimento, nasceu às 15h20, tinha ascendente Escorpião e o Sol em Gémeos). Realizou mais de mil horóscopos.
Apreciava também o trabalho do famoso ocultista Aleister Crowley, tendo inclusive traduzido o poema Hino a Pã. Certa vez, lendo uma publicação inglesa de Crowley, encontrou erros no horóscopo e escreveu-lhe para o corrigir. Os seus conhecimentos de astrologia impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, foi a Portugal conhecer o poeta. Acompanhou-o a maga alemã Miss Hanni Larissa Jaeger. O encontro entre Pessoa e Crowley ocorreu com algum sensacionalismo, dado o Poeta Inglês ter simulado o seu suicídio na Boca do Inferno, o que atraiu várias polícias Europeias e a atenção dos média da época. Pessoa estaria dentro da encenação, tendo combinado com Crowley a notificação dos jornais e a redacção de um “romance policiário” cujos direitos reverteriam a favor dos dois poetas. Apesar de ter escrito várias dezenas de páginas, essa obra de ficção nunca foi concretizada.
Como apreciador de sua obra, não poderia me privar de prestar uma singela homenagem a este espetacular irmão de caminhada.
Segue abaixo um de seus belos poemas, que sempre nos levam, inevitavelmente, as mais profundas reflexões. Quem quiser saber mais sobre ele, o Marcelo Del Debbio publicou sua interpretação do Mapa Astral dele na Wiki do Projeto Mayhem.
“É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.”
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Não conhecia aquele poema Rosacruz dele, bem interessante (e enigmático, certamente além da minha capacidade interpretativa a essa hora da noite hehe)…
Abs
raph
Gostaria de saber em qual livro ou coletânea de poemas do Pessoa encontra-se este poema. Também queria saber o título e de qual período e ano ele foi escrito.
Com tantas publicações de textos anônimos, atribuídos a poetas clássicos, este também me parece não ser dele. Por isso gostaria que me tirasse esta dúvida, se for possível.
Meu email é fabiodesenhos@gmail.com
Muitíssimo grato.