Na última segunda-feira participei do #meganao ao AI-5 Digital, ou PL Azeredo, como foi apelidado, mesmo sem ter combinado nada antecipadamente (e com isso, não ter levado meu notebook), pude utilizar o note da AL para twittar o ato, auxiliando na cobertura alternativa, já que, logicamente, a grande mídia não tem interesse em cobrir algo que vai contra os seus interesses…
Não sabia o que esperar de público no evento, porém, felizmente, tínhamos aproximadamente 50 pessoas participando, o que eu considero um bom número, dado o modo como os eventos estão sendo divulgados e como a sociedade está aquém de tudo isso. O que senti falta foram as representações “oficiais”, diga-se figuras políticas. No cartaz de divulgação estavam confirmadas as presenças de vários Deputados, Federais e Estaduais, porém, apenas 2 compareceram, e não ficaram mais do que 20 minutos no ato. Sei bem como isso é, pois eu mesmo tentei levar alguns Deputados pra lá, mas sem muito sucesso…
Na verdade, essa ausência de políticos no debate reflete a fala da Deputada Federal Manuela D’Avila (PC do B/RS), a única representante do parlamento federal presente. Manuela afirma que “[...] existe um desconhecimento muito grande por parte dos políticos brasileiros em relação às tecnologias de informação e comunicação, em especial a internet, que a grande maioria só entende a rede como um “panfleto eletrônico”[...]”, o que concordo plenamente.
Por parte do parlamento gaúcho, esteve presente na mesa o Deputado Elvino Bohn Gass (PT), que mostrou-se estar interessado e conhecer o tema, fazendo um trocadilho, no mínimo, interessante: “[...] deveríamos chamar de AI-45 Digital o projeto, e não somente AI-5 Digital. [...]“, embora pertinente, não é a pura verdade…
Além dos políticos, a mesa também foi formada por representantes da sociedade civil em vária instâncias, alguns ainda um pouco perdidos em onde este tema tem cruzamento com as ações do seu seguimento, mas todos alinhados na ideia anti-vigilantismo, o que mostra a identidade dos movimentos com a rede.
Helbert, do SERPRO, representando a Associação Gaúcha dos Trabalhadores na área de TICs deixou clara uma preocupação que também é minha: “Estamos dormindo com o inimigo. É preciso fiscalizar as ações e opiniões do Gov. Federal sobre o PL”, visto que o governo não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Temos uma carta do Ministro Tarso Genro, que, na minha opinião, é muito mais por pressão da base do PT gaúcho do que uma opinião do Ministério, visto que já foi declarado antes que o Min. Da Defesa está redigindo um novo texto para o PL, mais “brando” (ai ai ai, essa palavra de novo?).
Tivemos também a participação do @caribe, via skype, representando o coletivo cyberativistas, que ressaltou que é preciso fiscalizar os demais PL’s que existem sobre restrições na rede, como o que restringe a publicação de vídeos na rede. @caribe também colocou o fato do PL Azeredo gerar medo no cidadão comum, e destacou a batalha que a mídia tradicional está travando contra o projeto.
Dentre as demais colocações, tivemos alguns interessantes, como a de que “a alternativa ao AI-5 foi a luta armada, qual seria a alternativa de combate ao AI-5 Digital?” Também me faço essa pergunta.
Acho que os atos que estão acontecendo são válidos, mas não resolvem. Acredito que o movimento precisa sair da rede e das salas das assembleias e, de alguma forma, tomar as ruas, tornar-se público. Quando digo público, digo algo que possa gerar interesse no cidadão comum sobre o que está acontecendo, algo como o movimento contra a #ditabranda que ocorreu em SP, só que mais amplo…
É preciso despartidarizar e desinstitucionalizar o debate, conscientizar os políticos, sim! Mas também conscientizar o usuário comum da rede, aquele que lê seus e-mails, baixa suas músicas para uso pessoal, é preciso desmentir a grande mídia, que usa argumentos como a pedofilia para controlar a vida “virtual” do povo. É preciso que o debate também chegue ao cidadão comum.
Como vamos fazer isso? Boa pergunta! Mas temos que refletir, e nos mobilizarmos, antes que seja tarde demais…
Fotos do #meganao POA: http://migre.me/1ypa (Créditos para @chairodrigues)



