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Colhendo Frutos…

Durante toda a nossa vida acredito que plantamos várias sementes através de várias atitudes que tomamos. Claro que, além de plantarmos a semente, é preciso rega-la e aduba-la para que ela cresça e floresça, e nem sempre nós temos a possibilidade de dar estes devidos cuidados a todas, o que faz com que algumas não tomem o rumo desejado e acabem “carunchando”… Porém, as vezes, mesmo que não possamos cuidar devidamente de nossas sementes, algumas conseguem germinar quase que sozinhas, crescendo e gerando lindos e apetitosos frutos, e desses frutos também criando novas sementes, germinando ainda mais frutos e ainda mais sementes…

As vezes acho que fazemos esses plantios involuntariamente, e de tão “dura” que as vezes a vida se torna e nos torna, acabamos por não perceber os belos frutos que essas sementes geram…

No meu caso, a minha exagerada autocobrança por resultados acaba por vezes me cegando na colheita dos frutos… e por vezes sou surpreendido por outras pessoas apontando suas ações como sendo frutos de uma semente plantada por mim… o que acaba me fazendo olhar para trás e refletir nas ações tomadas, procurando melhorar as ações futuras, além, claro, de me propiciar um sorriso no rosto. =)

Nestes últimos dias fui surpreendido por frutos de sementes plantadas no passado…

O vídeo abaixo mostra o trabalho do pessoal do Casa Brasil aqui de Caxias do Sul, trabalho que me orgulho em dizer que pude acompanhar desde seus primórdios e auxiliar na plantação da semente, e que foi regado e adubado por eles, e hoje esta gerando “apetitosos” frutos, mostrando que ainda é possível mudar as coisas da forma como elas estão…

Parabéns ao pessoal do CB Reolon, vocês não sabem o orgulho que tenho de fazer parte dessa caminhada, contem comigo SEMPRE!

Como já acredito ser de conhecimento geral (pelo menos do público mais geek), nos dias 24 a 27 deste mês estará acontecendo na PUC, em Porto Alegre, a 10º Edição do FISL, evento que reúne entusiastas, curiosos, hackers, empresas e Governos de todo o mundo que trabalham ou tem interesse em conhecer, difundir e ampliar as iniciativas de Software Livre no País e no mundo.

Neste ano, teremos na Sexta-feira 26, das 13 as 17h no Instituto de Educação, o minievento Software Livre na Educação – Usos,Desusos e Intrusos, proposto pelo Grupo Software Livre Educacional, do qual eu faço parte. Farão parte da mesa deste evento, além de mim,  o Frederico Guimarães, idealizador do Grupo, a Marinez Siveris de Passo Fundo e a Carla Betioli, todos envolvidos com o Software Live na Educação. A mesa é só uma mera formalidade, pois a idéia é de criar um ambiente de debate colaborativo. Além destes, também estarão presentes vários atores do Software Livre Educacional atuantes no País.

O cronograma do minievento será o seguinte:

  • Apresentação geral sobre software livre na educação (30min): Explanação geral sobre a relação entre software livre e educação, com uma explicação breve sobre os princípios do software livre.
  • Ferramentas livres para a educação (1h): Demonstração de alguns softwares livres que podem ser utilizadas de maneira direta em ambientes educacionais.
  • Apresentação dos casos de sucesso (30min): Casos de uso de softwares livres em ambientes educacionais.
  • Apresentação do projeto SLEducacional e debate sobre o uso educacional de softwares livres (2h): Apresentação do grupo, seus objetivos e formas de colaboração e debate aberto sobre a situação atual do uso educacional de softwares livres e o que pode ser feito para tornar esse trabalho mais consistente.

Além do minievento, o SLEducacional também estará presente no espaço destinado aos Grupos de Usuários, juntamente com o Projeto Texto Livre e o Pandorga Linux.

Caso tenha interesse de apresentar algum caso de sucesso sobre software livre na educação ou deseja ter maiores informações sobre o evento, basta enviar um e-mail para frederico[at]teia.bio.br ou petersond[at]gmail.com.

Nos vemos por lá!

Na última segunda-feira participei do #meganao ao AI-5 Digital, ou PL Azeredo, como foi apelidado, mesmo sem ter combinado nada antecipadamente (e com isso, não ter levado meu notebook), pude utilizar o note da AL para twittar o ato, auxiliando na cobertura alternativa, já que, logicamente, a grande mídia não tem interesse em cobrir algo que vai contra os seus interesses…

Não sabia o que esperar de público no evento, porém, felizmente, tínhamos aproximadamente 50 pessoas participando, o que eu considero um bom número, dado o modo como os eventos estão sendo divulgados e como a sociedade está aquém de tudo isso. O que senti falta foram as representações “oficiais”, diga-se figuras políticas. No cartaz de divulgação estavam confirmadas as presenças de vários Deputados, Federais e Estaduais, porém, apenas 2 compareceram, e não ficaram mais do que 20 minutos no ato. Sei bem como isso é, pois eu mesmo tentei levar alguns Deputados pra lá, mas sem muito sucesso…

Na verdade, essa ausência de políticos no debate reflete a fala da Deputada Federal Manuela D’Avila (PC do B/RS), a única representante do parlamento federal presente. Manuela afirma que “[...] existe um desconhecimento muito grande por parte dos políticos brasileiros em relação às tecnologias de informação e comunicação, em especial a internet, que a grande maioria só entende a rede como um “panfleto eletrônico”[...]”, o que concordo plenamente.

Por parte do parlamento gaúcho, esteve presente na mesa o Deputado Elvino Bohn Gass (PT), que mostrou-se estar interessado e conhecer o tema, fazendo um trocadilho, no mínimo, interessante: “[...] deveríamos chamar de AI-45 Digital o projeto, e não somente AI-5 Digital. [...]“, embora pertinente, não é a pura verdade…

Além dos políticos, a mesa também foi formada por representantes da sociedade civil em vária instâncias, alguns ainda um pouco perdidos em onde este tema tem cruzamento com as ações do seu seguimento, mas todos alinhados na ideia anti-vigilantismo, o que mostra a identidade dos movimentos com a rede.

Helbert, do SERPRO, representando a Associação Gaúcha dos Trabalhadores na área de TICs deixou clara uma preocupação que também é minha: “Estamos dormindo com o inimigo. É preciso fiscalizar as ações e opiniões do Gov. Federal sobre o PL”, visto que o governo não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Temos uma carta do Ministro Tarso Genro, que, na minha opinião, é muito mais por pressão da base do PT gaúcho do que uma opinião do Ministério, visto que já foi declarado antes que o Min. Da Defesa está redigindo um novo texto para o PL, mais “brando” (ai ai ai, essa palavra de novo?).

Tivemos também a participação do @caribe, via skype, representando o coletivo cyberativistas, que ressaltou que é preciso fiscalizar os demais PL’s que existem sobre restrições na rede, como o que restringe a publicação de vídeos na rede. @caribe também colocou o fato do PL Azeredo gerar medo no cidadão comum, e destacou a batalha que a mídia tradicional está travando contra o projeto.

Dentre as demais colocações, tivemos alguns interessantes, como a de que “a alternativa ao AI-5 foi a luta armada, qual seria a alternativa de combate ao AI-5 Digital?” Também me faço essa pergunta.

Acho que os atos que estão acontecendo são válidos, mas não resolvem. Acredito que o movimento precisa sair da rede e das salas das assembleias e, de alguma forma, tomar as ruas, tornar-se público. Quando digo público, digo algo que possa gerar interesse no cidadão comum sobre o que está acontecendo, algo como o movimento contra a #ditabranda que ocorreu em SP, só que mais amplo…

É preciso despartidarizar e desinstitucionalizar o debate, conscientizar os políticos, sim! Mas também conscientizar o usuário comum da rede, aquele que lê seus e-mails, baixa suas músicas para uso pessoal, é preciso desmentir a grande mídia, que usa argumentos como a pedofilia para controlar a vida “virtual” do povo. É preciso que o debate também chegue ao cidadão comum.

Como vamos fazer isso? Boa pergunta! Mas temos que refletir, e nos mobilizarmos, antes que seja tarde demais…

Fotos do #meganao POA: http://migre.me/1ypa (Créditos para @chairodrigues)

Nos últimos tempos os grandes meios de comunicação vem minando a população com reportagens e posicionamentos contrários e ofensivos à internet, e isso vem se intensificando a cada dia e abrangendo todos os meios midiáticos possíveis para criminalizar a internet. Os focos são muitos, mostrando sempre a web como “antro de falsificadores, pedófilos, estelionatários e assaltantes de bancos”.

Mas quais são as intenções dessa massiva desqualificação da rede? Você pode pensar que a mídia esta fazendo seu “papel de informar a população sobre os crimes que ela pode sofrer”, mas o que está por trás disso é o desespero pela perda do controle de informações e, consecutivamente, prejuízo.

Desde o ano de 2006, a aquisição de computadores cresceu em grande escala no País, e muito desse crescimento é fruto dos programas de financiamento e inclusão digital do Governo Federal (como o Computador Para Todos , por exemplo). Com o crescimento da aquisição de computadores, atrelado também aos programas de redistribuição de renda do governo, cresceram também o número de lares com acesso a internet no País. Atualmente, mais de 30 milhões de brasileiros já possuem acesso residencial à internet. Se somarmos esses números com o de acessos via lan houses e telecentros, a fatia da população que tem acesso a internet hoje no Brasil é bastante grande.

O crescimento do acesso a internet pela população, especialmente pela dita “classe C”, gera um novo cenário de acesso e a troca de informação, fazendo com que o povo deixe de ser apenas um receptor de conteúdos mastigados e passe a também a ser gerador de informações, podendo mostrar a outra face da informação que os grandes veículos de informação não trazem, seja por desqualificação dos profissionais ou pelo interesse de fornecer a informação tendenciada pelo ponto de vista das elites dominantes.

É fruto deste cenário, de crescimento de blogs e mídias alternativas, e do declínio nos lucros dos grandes veículos tradicionais de informação, que a mídia vem iniciando nos últimos dias uma batalha contra a internet, focando principalmente a população adulta, tentando convencer que o acesso cada vez mais cedo a internet pode trazer riscos aos adolescentes e jovens, que são os que estão cada dia mais se apoderando destas tecnologias.

Não se iluda: esta campanha nada tem a ver com a defesa da moral, bons costumes e segurança da população, tem a ver com o medo da redução de lucros e queda do oligopólio da mídia nacional. Fique esperto!

Gripe do PIG*

#Editado#

A imagem foi retirada do sitio, não imagino porque, mas vale o manifesto abaixo…

Mais uma vez o PIG* estava tão preocupado em criar pânico nacional (com a dita “gripe suína”) e esqueceu de noticiar as inundações no Nordeste… lamentável… Enquanto a gripe “suína” (suína porque vem do PIG*) não matou ninguem no Brasíl, as enchentes mataram mais de 40 no nordeste… mas… é no nordeste, né? lamentável…
Outro detalhe, a dita gripe suína matou mais pessoas justamente no México, porém, os nomes das vítimas não aparecem… será pelo fato de que, uma gripe que mata tanto quanto uma gripe normal, atingiu a população mais pobre e esquecida do País?
Novamente as cartas de interesse estão na mesa…

*Partido da Imprensa Golpista

Jukebox Mental

Pipoca

popcorn-main_fullRubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida…). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé…

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

“Morre e transforma-te!” — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á”.A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira…

“Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu”.

O texto acima foi extraído do jornal “Correio Popular”, de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.

- O sonho da minha vida é aprender a ler.

Frase de uma senhora, de lá seus 60 e poucos anos, moradora do Norte do Brasil… realidade que ainda assola, infelizmente, uma boa parte dos brasileiros, principalmente na terceira idade.. triste…

Os  resultados do ENEM apontam que, das 40 escolas melhores colocadas no exame, apenas 1 é da região sul do País… sem contar que dessas 40, 30 são privadas… preocupante…

Enquanto isso, o MEC distribui mais de 18.000 laboratórios de informática, com software livre, para as escolas públicas do País. O problema é convencer os professores de que estamos em uma era digital, que é necessária uma reciclagem dos modos de aplicação e também dos conteúdos abordados… Professor tem que incentivar os alunos a fazer suas pesquisas na internet, mas é preciso que eles, professores, não tem preguiça de ler os trabalhos dos alunos… Se não o fizerem, os trabalhos continuam sendo copy-paste do Wikipédia, e os professores contiuarão blasfemando “as internets” e seus orkuts maléficos, somando-se ao discurso da mídia e criando monstros como certos Senadores e seus projetos AI-Digital…

Acho que falta um pouco mais de Rubem Alves e Paulo Freire a estes “educadores”, falta a visão e a compreensão de que seus mimeógrafos já ficaram no passado, e que as redes sociais proporcionadas pela web são asas, não gaiolas…

Como diriar Ruben Alves, há esperança…

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