Meditação…

5 Junho 2008 at 10:27 pm | In Pessoal | No Comments

Mãe e filho estavam perdidos na floresta (a noite, pra deixar tudo amedrontador) quando ouviram um barulho crescente, vindo pela estrada logo atrás. O menino assustou-se mas a mãe prontamente explicou:

- não se assuste. é uma carroça vazia, filho.

- mas mãe, como você sabe?! está escuro… o barulho está crescendo cada vez mais!

- filho, justamente por isso. quando a carroça está cheia, ela é silenciosa. carroças vazias são barulhentas por não conterem nada em seu interior… com o movimento, vão sacolejando, tilintando, etc!

- entendi…

- engraçado filho, pois as pessoas são como as carroças: quanto mais barulhentas, cheias de auto-elogios, o tipo de pessoa que não respeita quando alguém está falando… cheias de “eu sou”, “eu faço”, pode ter certeza que seu interior é oco. Já as com conteúdo, fazem seu trabalho sem chamar atenção, cumprindo suas funções…

O futuro chegou: crise alimentar e energética

3 Junho 2008 at 10:15 pm | In Artigos, Pessoal | No Comments

Prof. Paul Singer

PAUL SINGER

Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais

O PREÇO do petróleo está batendo recordes quase diariamente. No momento, ele gira ao redor de 130 dólares o barril. O índice dos preços de alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) foi, em média, 127 em 2006 e 157 em 2007, subindo para 220 em março de 2008 (1998-2000 = 100). Nunca em tempos de paz houve pressões inflacionárias tão violentas a partir do encarecimento de bens essenciais.
Eis a grande novidade dessa dupla crise que se deve às mesmas causas: a redução da pobreza em grandes países periféricos, como a China, a Índia e o Brasil (além de outros), que expandiu fortemente a demanda por derivados de petróleo e por alimentos “nobres” -carne e laticínios, cuja produção exige muito mais trabalho humano, energia e recursos naturais não renováveis, como terra e água.
A elevação dos preços do petróleo e da comida deveria provocar um aumento de sua produção, pois seu encarecimento a torna mais lucrativa. Mas a elevação da produção alimentar esbarra na disponibilidade de terra e água, limitada pela sua poluição pelos elementos químicos utilizados pelos agricultores. O mesmo vale para o aumento da produção de petróleo, limitado pelas reservas exploráveis.
Estamos nos defrontando com um cenário que Celso Furtado previu em 1974, quando escreveu “O Mito do Desenvolvimento Econômico”. Ele sustentava que era um mito esperar que o desenvolvimento econômico dos países do Terceiro Mundo lhes permitiria alcançar o nível de vida usufruído apenas pelos povos do Primeiro Mundo, porque não haveria recursos naturais suficientes para que isso pudesse acontecer.
Quase um terço de século decorreu desde então, e o que parecia na época um exagerado temor malthusiano tornou-se consensual, sobretudo desde que se comprovou que o clima da Terra está aquecendo, com conseqüências danosas para os recursos naturais do planeta.
A nova classe média nos países chamados de emergentes passou a ter dinheiro para alcançar o padrão de vida de sua congênere do Primeiro Mundo. Essa mudança seria desejável se ela não impactasse desfavoravelmente sobre a grande massa que continua pobre.
A carestia da comida, causada pelo aumento da demanda dos ex-pobres, empobrece ainda mais os que já gastam a maior parte do que ganham para alimentar a família. Os cereais que lhes mataria a fome tendem agora a ser dados aos animais cujos derivados alcançam preços cada vez mais atraentes.
O funcionamento do mercado mundial de alimentos produz “naturalmente” esses efeitos perversos. Motins da fome estouram em cada vez mais países e, de acordo com a FAO, em 37, dos quais 21 africanos, há crise alimentar.
Premidos pelo desespero dos famintos, cada vez mais governos (inclusive o brasileiro) tratam de restringir a exportação de alimentos básicos para garantir o abastecimento do mercado interno. O que naturalmente agrava a situação dos pobres nos países que dependem de alimentos importados.
A ONU, alarmada com a gravidade da situação, está solicitando das nações mais ricas recursos para impedir que a fome se alastre pelo mundo, pondo em risco não só o combate à pobreza mas também a paz mundial.
Governos terão de adotar medidas de emergência para garantir um abastecimento alimentar mínimo a todos: estatizar os estoques de alimentos para evitar que sejam açambarcados pelos que têm dinheiro para formar estoques privados. E racionar a sua venda, por preços que os mais pobres possam pagar; eventualmente, taxar mais os alimentos derivados de animais para possibilitar o aumento da produção dos alimentos vegetais, indispensáveis à nutrição do conjunto da população; taxar também os derivados de petróleo, para reduzir a utilização do transporte individual e aumentar a do transporte coletivo.
A crise alimentar e energética poderá talvez ser contida por medidas como essas, mas sua resolução exigirá mudanças mais profundas.
Os padrões de consumo terão de ser acomodados à real disponibilidade de recursos naturais, e esta deverá ser alargada por mais investimentos no aumento da produção agrícola sustentável do ponto de vista social e ambiental.
As crises energética e da mudança climática terão de ser resolvidas pelo desenvolvimento de fontes renováveis de energia limpa, única maneira de acabar com as emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis.
A crise alimentar não pode deixar de limitar, em alguma medida, a produção de agrocombustíveis, de modo que o desenvolvimento de outras fontes de energia -solar, eólica, hidráulica- terá de receber prioridade.

PAUL SINGER, 76, economista, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina).

Novos horizontes v2.0

21 Maio 2008 at 10:03 pm | In Pessoal | No Comments

Saudações…

Juro que sempre tento manter este espaço atualizado, mas confesso que um dos meus pontos fracos é em conseguir organizar as informações que assimilo em um documento ou algo assim, leio muita coisa durante o dia, converso bastante e troco muita informação, mas para organiza-las fora de minha cabeça é algo complicado… hehe..

Enfim, faz parte de minha implementação no programa GESAC a documentação de minhas visitas, então, tenho tentado fazer isso no wiki do programa, quem quiser dar uma passadinha lá, o link para o meu espaço é http://oca.idbrasil.org.br/wiki2/index.php/Peterson_Danda =P

Nos meus bookmarks tenho alguns sites que visito frequentemente, um deles é o viomundo do Azenha, reporter de renome que não tem “papas na língua”, passando por lá hoje ví uma reportagem curtinha, mas interessante, relacionado a manipulação da mídia sobre as informações quando elas são de interesse do PIG, segue o link http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-aviao-de-2006-e-o-aviao-de-2008/

Boa Leitura! =)

Abraços

Em tempo, segue link para oficina de capacitação realizada em floripa, ta bem interessante, processo de construção coletiva =)

Depois de um tempo…

7 Abril 2008 at 5:00 am | In Pessoal | No Comments

Depois de um tempo você aprende
a sutil diferença entre
segurar uma mão e acorrentar uma alma
e você aprende
que amar não significa apoiar-se
e companhia não quer sempre dizer segurança
e você começa a aprender
que beijos não são contratos
e presentes não são promessas
e você começa a aceitar suas derrotas
com sua cabeça erguida e seus olhos adiante
com a graça de mulher, não a tristeza de uma criança
e você aprende
a construir todas as estradas hoje
porque o terreno de amanhã é
demasiado incerto para planos
e futuros têm o hábito de cair
no meio do vôo
Depois de um tempo você aprende
que até mesmo a luz do sol queima
se você a tiver demais
então você planta seu próprio jardim
e enfeita sua própria alma
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores
E você aprende que você realmente pode resistir
você realmente é forte
você realmente tem valor
e você aprende
e você aprende
com cada adeus, você aprende.

Veronica Shoffstall

Caminhos da revolução digital

29 Março 2008 at 1:24 am | In Pessoal | No Comments

*Retirado da versão digital da revista Le Mounde diplomatique

Apesar de dominante, o capitalismo não consegue mais sustentar a lógica de acumulação e trabalho. Seus principais alicerces — a economia, a ética burocrática e a cultura de massas — estão em crise. Com a internet florescem, em rede, novas formas de produzir riquezas, diálogos e relações sociais

Hernani Dimantas, Dalton Martins

Aprendemos que as redes são orgânicas. Aprendemos também que as redes são emergentes. Emergência é um processo de auto-organização. “A única diferença é o material de que são feitas: células de enxames, calçadas, zeros e uns”. Isso não importa. Relevante é observar a tendência do pensamento de baixo para cima, bottom up, modificando a forma da humanidade pensar. Continuamente, ouvimos falar das experiências de organização de comunidades de seres vivos, da capacidade de construção de redes descentralizadas das formigas, dos cupins, das abelhas. Seriam reflexos da capacidade orgânica da colaboração?

Mutação, transformação e modificação são palavras que uso bastante no cotidiano digital. A internet trouxe a idéia de revolução, e traz consigo críticas inequívocas de como a sociedade moderna está estruturada. Romper paradigmas significa destruir os preconceitos nos quais estamos inseridos. E muitos desses preconceitos estão diretamente ligados à forma como nos organizamos e conversamos. Mesmo de forma sutil, sem exatamente compreendermos porque agimos de determinada maneira.

Se debatemos tal desconstrução da sociedade de massa, podemos admitir as mudanças e passar a agir de acordo com essa nova possibilidade. E existe uma tendência de utilizarmos cada vez mais os meios binários — seja para comprar e vender, ou para distribuir informação. Comercial ou não. E essa tendência acompanha a forma de organização dos grupos sociais e sua capacidade de conversarem de múltiplas maneiras.

Nessa corrida maluca, percebemos que os mercados também se transformam. O Manifesto Cluetrain é claro. Propõe o fim dos negócios como conhecemos. Por quê? Os mercados são conversações. E essa conversação faz as pessoas se aproximarem, não só para trocar informações cotidianas, muitas vezes descartáveis. Mas para uma auto-organização da sociedade civil. As conversações seriam a democratização do processo organizacional coletivo?

Linux, o primeiro produto moderno e competitivo criado de modo não-capitalista

Essa é a proposta do movimento dos códigos livres. Uma organização colaborativa, anárquica e disforme. Poderosa pela essência que une as pessoas num projeto comum. A rede faz tal movimento aflorar. O Linux foi o primeiro produto moderno e competitivo criado num modo de produção não capitalista. Entender isso é compreender que as mudanças atingem o meio digital. E devem repercutir construtivamente para outros setores.

Mas o mundo dos negócios é avesso a críticas. Idéias sustentadas em fatos reais são mostradas como se fossem apenas utopia. Lunáticos que não entendem o dinamismo do dinheiro. Pois o vil metal move o mundo. No entanto, qual foi o investimento inicial no Linux? Nada!

E esse nada está apavorando o grande monopólio. É difícil combater a organização de pessoas comuns. Estamos vendo o Linux e outros programas abertos aumentando a participação nos mercados. Essa realidade é inexorável. Uma realidade que modifica a essência da forma como conversamos, como estamos buscando nos organizar. A mudança é estrutural, topológica, elementar e, absolutamente, transformadora.

Colaboração é a novidade da sociedade da informação. Linus Torvalds causou um alvoroço enorme ao liberar o código de seu programa numa lista de debates. A frase Release early and release often (Libere cedo e libere freqüentemente) passou a redesenhar um modelo de produção. Colaboração como capital social. Colaboração para fazer qualquer coisa que o desejo provoque. Colaboração como condição de sobrevivência. Colaboração como viés estrutural no desenvolvimento das novas organizações, veia latente dos processos de inovação tecnológica, canal de viabilização da interação entre fornecedores, clientes e comunidades de usuários dos múltiplos produtos hoje oferecidos pela internet.

Por meio das redes sociais, novas geografias de poder, nas quais o link subverte a hierarquia

Com as tecnologias da comunicação e da interação, as redes passam a facilitar a convivência à distância em tempo real. Provocam e potencializam a conversação. Reconduzem a comunicação para uma lógica de sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições de forma descentralizada e participativa. Reorientam fluxos criativos e abrem novas possibilidades de circulação da riqueza.

O capitalismo, apesar de dominante, não consegue mais sustentar a lógica da acumulação e do trabalho. Seus principais alicerces, a economia, o paradigma da ética burocrática e a cultura de massas, estão em crise. Essa aponta a necessidade de uma nova ordem, uma reestruturação. Marx escreveu sua crítica em O Capital, num momento que a sociedade industrial estava aflorando, mas não se apresentava, ainda, como o paradigma dominante. O século 21 exige, portanto, modificações estruturais no poder para atender a nascente sociedade informacional. É nesse cenário que as redes sociais adquirem importância, pois em seu elemento constitutivo trazem uma nova possibilidade organizacional, logo, estrutural dos fluxos de conversação e da forma como o poder é exercido a partir dos relacionamentos entre pessoas.

A tecnologia catalisa a inteligência das pessoas. A revolução das tecnologias da informação atua remodelando as bases materiais da sociedade e induzindo a emergência de agenciamentos colaborativos como base de sustentação social. Não podemos atribuir tais mudanças apenas à tecnologia. A internet torna possível o florescimento de novos movimentos sociais e culturais em rede. Possibilita organizar a sociedade civil em novas formas de gestão e retornar às redes humanas depois de um longo período de domínio das redes de máquinas e da burocracia. No limite da ruptura dos paradigmas, a colaboração aparece como um potencializador das energias produtivas. A sociedade está se tornando mais aberta e de uma forma ampla, mais colaborativa.

O software livre é o caso mais conhecido da resistência digital — e o que teve maior impacto. Uma nova dinâmica, que demonstra a produção de conhecimento livre como alternativa economicamente viável e sustentável. O código aberto está trazendo para a inovação o que a linha de montagem trouxe para a produção em massa. Estamos caminhando para uma era em que a colaboração substituirá a corporação. Uma opção pela descentralização do poder catalisado pelas conversações de uma sociedade em rede.

Ao invés de telespectadores, pessoas que desejam protagonizar suas existências e colaborar

As pessoas não querem mais ser telespectadores. Elas têm a possibilidade de interagir com as comunidades na internet e, assim, protagonizar as próprias existências. Buscando na comunidade digital os interesses comuns. Uma alternativa para o crescimento colaborativo.

Entra a internet. E por incrível que possa parecer, essa ferramenta fez um estrago nas idiossincrasias dos poderosos. A internet é maquínica. Pois recria um poder nômade no âmago. Um poder que se recria a cada instante. Catalisados pelos nós das redes. Uma reviravolta acontece nos dogmas ocidentais. Onde se lia transcendência, agora se enxerga e vive a imanência

Nesse sentido, estamos num processo de progressão jamais visto. Pois qualquer pessoa tem a possibilidade de publicar na rede, seja em forma de email, artigos, blogs, músicas ou imagem. A internet é um meio multimídia que dá às pessoas inúmeras formas de expressão. A cultura cibernética não é nada mais do que uma compilação de tal diversidade. Está em curso um processo silencioso, uma revolução que não será televisionada, que provocará mudanças profundas na sociedade.

Mais:

Dalton Martins e Hernani Dimantas assinam, no Caderno Brasil, a coluna Sociedade em Rede. Edições anteriores:

Novos horizontes…

29 Fevereiro 2008 at 8:02 pm | In Pessoal | 1 Comment

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Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.

Mario Quintana

Mídia e democracia

20 Fevereiro 2008 at 2:45 am | In Mídia | No Comments

midia e democracia

Jornalismo ético e crítico ainda existe

18 Fevereiro 2008 at 4:17 pm | In Mídia | 1 Comment

Saudações

Seguindo a tentativa de manter o blog na ativa, venho escrever sobre uma das melhores descobertas jornalistas que tive nos últimos tempos. Em conversa com meu amigo Lucio Uberdan, responsável pelo blog Relatividade e grande militante do movimento de Economia Solidária, ele comentou sobre (e mostrou) uma revista que havia comprado, chamava-se Le Monde Diplomatique. Passando pelo aeroporto, em uma das minhas viagens pelo Casa Brasil, encontrei a revista e decidi comprar. Resultado, nunca um vôo pra Salvador tinha sido tão rápido! Na verdade, o que conheci foi a versão brasileira desta revista, que já existe na França desde 1954. Com foco em um jornalismo crítico, a revista começou a ser traduzida para o português virtualmente desde dezembro de 1999 e impresso a partir de outubro de 2007. Tenho tentado comprar mensalmente, mas como moro em uma cidade do interior, nunca consegui encontra-la por aqui, quando muito consigo compra-la na rodoviária de Porto Alegre, mas nem sempre encontro. Fui então ao site da revista procurar a questão de assinaturas, e tive uma excelente surpresa ao encontrar uma sessão chamada Copyleft. Segue o texto que encontrei lá.

A edição eletrônica de Le Monde Diplomatique é regida pelos princípios do conhecimento compartilhado (copyleft), que visam estimular a ampla circulação de idéias e produtos culturais. A leitura e reprodução dos textos é livre, no caso de publicações não-comerciais. A única exceção são os artigos da edição mensal mais recente, acessíveis no menu lateral esquerdo do site. A citação da fonte é bem-vinda. Mais informações sobre as licenças de conhecimento compartilhado podem ser obtidas na página brasileira da Creative Commons

O site do jornal é alimentado pelo sistema de publicação SPIP, baseado em Linux, gratuito e escrito em código aberto — portanto, modificável. Com ele, qualquer organização ou pessoa pode administrar e atualizar instantaneamente, e de qualquer parte do mundo, espaços complexos na internet. Também é possível organizar redes de publicações. Graças ao princípio RSS e à linguagem XML, já incorporadas ao sistema, todos os textos publicados por qualquer site integrante da rede pode ser anunciada automaticamente em todos os demais.

Para minha surpresa (e ampliação ainda mais a minha mais nova paixão), abro o site da revista hoje e encontro um artigo chamado “A cultura Hacker”, escrita por Hernani Dimantas e Dalton Martins , sendo o segundo um dos “papas” da metareciclagem no Brasil, figura a qual já tive oportunidade de conhecer pessoalmente e é extremamente profissional e competente, além de um verdadeiro transformador social. Reproduzo aqui, já que a revista inclusive incentiva isso, o artigo na íntegra e sugiro a leitura, auxiliando a quebra de preconceitos sobre este assunto.

Boa leitura.

A cultura hacker

Confundidos propositalmente, pelo pensamento conservador, com invasores de rede, hackers somos todos os que agimos para que informações, cultura e conhecimento circulem livremente. E esta ética de cooperação, pós-capitalista, vai transbordando do software livre para toda a sociedade

Hernani Dimantas, Dalton Martins

Os hackers surgiram no ambiente universitário. A cultura hacker tem origens no MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets e em outros laboratórios norte-americanos, como o PARC, da Xerox.

O movimento hacker coloca o ser humano no centro do universo e passa a desenvolver toda uma nova relação para satisfazer esta nova variável. Estes são os caras dos softwares de códigos livres, estes são os seres humanos do Linux.

Com as contas balanceadas é fácil, muito fácil, romper com as estruturas impostas pelo capitalismo. Richard Stallman, o guru da Free Software Foundation, podia priorizar o desenvolvimento de um driver para a impressora. E quebrar os modelos da indústria de software. No Brasil ele morreria de fome.

As originalidades das conversações que acontecem no baixo hemisfério devem ser analisadas por outro viés. Ser hacker é uma forma de sobrevivência. Essa análise se descola da cibercultura e entra nas relações que acontecem na sociedade brasileira. A colaboração é uma estratégia de sobrevivência nas periferias. Não vou me alongar nas perversidades das classes dominantes; vou focar na forma como os brasileiros descobrem o atalho para o futuro.

A internet é a obra-prima hacker . Este movimento não vai ficar restrito à arena tecnológica. Ser hacker independe do conhecimento inerente da computação. Faz mais sentido pensar no artífice. Na criatividade do ser humano catalisada pela digitalidade da rede.

É lógico que o debate na sociedade virtual está osmoticamente invadindo a sociedade estabelecida. Alguns princípios do ser humano estão sendo transformados. O novo bom-senso aceita a revolução digital como propulsora de uma nova ordem. Aceita a anarquia como uma forma viável de balanço entre os poderes. Aceita que o conhecimento deve ser livre, e o direito das pessoas comuns a compartilhar esse conhecimento. Empresas e governos tornam-se muito mais frágeis frente a essa realidade. Construíram um verdadeiro muro de Berlim, que divide a sociedade em castas de opressores e oprimidos, de poderosos e fracos, de produtores e consumidores, de bem e mal. Não acredito numa sociedade tão maniqueísta. A multidão hiperconectada rompe a ética protestante, que ajudou a evolução da sociedade industrial. Na era do conhecimento, esses valores devem ser sobrepujados por outra ética. A proposta da sociedade da informação é a ética hacker, que está sendo adotada pelo movimento do software livre.

Para entender esta ruptura dos paradigmas temos que pensar e participar. Um novo sistema está nascendo. Esqueça o velho comando e controle. Está surgindo uma consciência inequívoca de que a construção de baixo para cima tem muito para oferecer para o desenvolvimento do processo coletivo. Uma sociedade que sobrevive e se recria na sua própria diversidade.

Criar para a sociedade. Fazer acontecer independente do retorno financeiro a curto prazo. Qualquer pessoa com um computador conectado pode participar voluntariamente de projetos importantes

Tudo muda. Crianças aprendem a colaborar, a desenvolver projetos online e a espelhar os sonhos no ambiente web. O mundo virtual não é diferente do nosso bom e querido mundo real. A internet está ensinando os usuários a se inter-relacionarem neste espaço virtual. Não existe segredo, apenas boa vontade e obstinação.

Criar para a sociedade. Fazer acontecer independentemente do retorno financeiro a curto prazo. É esta a grande novidade. A metodologia de trabalho é simples e virtual. Qualquer pessoa com um computador conectado na rede e com um pouco de conhecimento tem a possibilidade de participar voluntariamente de alguns projetos importantes. Sem dúvidas, é a melhor opção.

Por trás deste discurso hacker existe uma filosofia. O conhecimento deve ser livre. Isto é muito diferente da ética protestante, para a qual o dinheiro enobrece o ser humano. De acordo com o jargão hacker ,”a original ética hacker significa a crença que o compartilhamento da informação é um bem um poderoso e positivo.” Na prática isso significa um dever ético de se trabalhar sob um sistema aberto de desenvolvimento, no qual o hacker disponibiliza a sua criação para outros usarem, testarem e continuarem o desenvolvimento.

Colaboração é a palavra do século 21. Linus Torvalds causou um alvoroço enorme ao liberar o código numa lista de debates. Release early and release often, ou “Libere logo [os resultados do trabalho] e libere com freqüência” passou a redesenhar um modelo de produção. Colaboração como capital social. Colaboração para fazer qualquer coisa que o desejo provoque. Colaboração como condição de sobrevivência.

E com estas prerrogativas uma outra lógica emerge das entranhas da rede. Pois a visão tradicional não corrobora com os anseios da rede e das pessoas. Estamos buscando o diferencial. A possibilidade de trocar informações, de opinar, de desenvolver nossos projetos com liberdade. Utilizar a voz.

Bem-vindo à Era do Conhecimento Livre.

Maddog no Campus Party: “O Brasil é uma estrela brilhante do Software Livre”

16 Fevereiro 2008 at 8:24 pm | In Software Livre | No Comments

Saudações

Tentando voltar a ativa, segue uma entrevista realizada por Kauê Linden, com John Maddog Hall, um dos papas do Software Livre mundial, durante o Campus Party, que esta acontecendo em São Paulo desde o dia 11 deste mês. A reportagem foi publicada no site Vi o mundo, site esse mantido pelo reporter Luiz Carlos Azenha, que tenta buscar fazer um contraponto das notícias que acontecem no mundo, e são utilizadas de forma tendenciosa e unilateral pela imprensa em geral.

Kauê Linden: Para novos usuários, eu gostaria de perguntar: Quem é Maddog? O que o Maddog está fazendo no momento?

Maddog: “Quem é Maddog” é uma boa pergunta. Ainda estou tentando descobrir. Estive na indústria de computadores por cerca de 40 anos. Fui vendedor, produtor e usuário de software, professor na universidade, desenvolvi projetos. Nos últimos 15 anos, trabalhei na Linux International para divulgar o software livre. Também sou o padrinho dos filhos do Linus Torvalds.

KL: Como você se envolveu com o código aberto?

Maddog: Eu tenho usado o que as pessoas chamam de “código aberto” desde 1969. Naqueles tempos, quase todo software era aberto. Quando você tinha um problema, escrevia a definição do problema. Então arranjava alguém para escrever o código e você era dono do software. Ele não pertencia à empresa que o desenvolveu. Você tinha o código na mão, podia colocar em quantos computadores quisesse, podia modificá-lo, podia distribuir essas modificações para quem bem entendesse. Dessa forma, nós tínhamos código aberto nos idos de 1969.

Programas proprietários de código fechado começaram a aparecer no período de 1977 a 1980, quando computadores pessoais da Apple e da IBM despontaram. Foi aí que as pessoas se acostumaram a comprar software como um pacote na prateleira. Eu fui reintroduzido ao software livre de código aberto em 1992, quando estava trabalhando em alguns projetos para termos software livre para clientes e, claro, em 1994, quando conheci Linus Torvalds e vi o Linux pela primeira vez.

KL: E foi assim que você se envolveu com Linux?

Maddog: Isso mesmo. Eu encontrei o Linus numa conferência da DECUS (Digital Equipment Corporation User’s Society – onde Maddog trabalhava em 1994). O irônico é que foi a DECUS que me fez conhecer o código aberto em 1969. Quando conheci Linus, ele estava falando sobre o projeto do Linux e gostei dele imediatamente. Então peguei o [código do] Linux e vi que era um projeto muito bom, melhor do que outros que estavam por aí. Achei que havia um bom potencial, não só como hobby ou um sistema técnico, mas na esfera comercial. Então convenci a empresa em que trabalhava a dar suporte ao Linus. Nós tínhamos alguns funcionários da Digital, assim como alguns membros da comunidade, trabalhando neste projeto.

KL: Muita gente no Brasil não sabe o que é Linux, acham que é difícil de usar. Isso é verdade, é difícil usar Linux?

Maddog: Eu acho que hoje em dia o Linux é tão fácil de usar quanto o Windows. Podemos melhorá-lo? Sim, podemos. O maior problema é que as pessoas simplesmente não estão acostumadas com o Linux. Ele é diferente do Windows e elas se sentem mais confortáveis com o Windows, porque sabem que na sala ao lado tem alguém que também usa Windows e pode pedir ajuda. Dessa forma, parte do plano da Koolu é ter um suporte local, próximo ao cliente, de forma que as pessoas podem ir até ele e tirar dúvidas. Isso fará com que elas se sintam melhores em relação a usar Linux e software livre.

KL: Como poderíamos educar os novos usuários para começar a entender de software livre desde a escola?

Maddog: Isso já começou. Jovens são ótimos em investigar e tentar aprender novas coisas. É só quando ficamos mais velhos que, de alguma forma, perdemos essa habilidade. Ficamos mais receosos de cometer erros que os mais jovens. Por isso, muitos jovens no ensino médio e na faculdade estão naturalmente adotando o software livre de código aberto. Eles percebem que não só podem aprender o que o programa faz, como podem aprender como ele funciona, e ainda ajudar a comunidade e fazer com que funcione ainda melhor.

Então se eles têm interesse em música, tem vários programas de áudio. Se têm interesse em vídeo, tem programas de edição de vídeo. Eles podem trabalhar em todos esses projetos e ajudá-los a ficarem melhores, então eles têm controle sobre o desenvolvimento do programa.

KL: Que conselhos você daria para os estudantes de ensino médio entrarem nesse mercado?

Maddog: Eu penso que um estudante de ensino médio, ou um estudante universitário, particularmente alguém que está estudando ciência da computação e como os computadores funcionam deveria aprender a fundo como as coisas funcionam. Tem um monte de gente hoje em dia que diz “você não tem que aprender Assembly, ou linguagem de máquina, porque Java é boa o suficiente, ou alguma outra linguagem de alto nível é boa o suficiente”. Mas o problema com essa filosofia é que você não entende como o computador está funcionando internamente. Você diz “acho que meu programa está rodando razoavelmente rápido”, mas existem pequenas mudanças que você poderia fazer para que o programa rodasse 10 vezes, 15 vezes, 40 vezes mais rápido.

Esta é a diferença entre alguém que realmente entende como um computador funciona e alguém que entende “por alto”. Eu recomendo aprender como funciona a linguagem de máquina, o que é memória cache, o que é um disco rígido, como ele realmente funciona, e como isso afeta o seu programa. Então, quando você tiver aprendido isso, você poderá aprender qualquer coisa pelo resto de sua vida, nada será uma caixa preta para você.

Kauê Linden: Em 2007 o número de computadores no Brasil aumentou em 44%, e o número de usuários com acesso à internet está crescendo muito também. Como podemos incentivar os novos usuários a usar software livre?

Maddog: Uma infinidade de coisas. Em primeiro lugar, o governo fiscalizar mais os softwares piratas. O interessante da coisa é que eu falei com a Microsoft, alguns gerentes de produto da Microsoft, e eles dizem “nós preferimos que as pessoas usem nosso software pirata do que software livre, porque usando software livre eventualmente elas ficarão acostumadas e não comprarão nosso software nunca”. Mas a Microsoft também financia a Business Software Alliance, uma organização que processa pessoas por aí por usarem software pirata. Eu considero um pouco hipócrita.

Se o governo fiscalizasse de verdade e fizesse com que as pessoas parassem de usar software pirata - como já é feito na China -, se a Microsoft ativasse todo o programa de proteção a pirataria que já vem embutido no seu sistema, ou se o governo criasse computadores de inclusão digital que não fossem capazes de executar satisfatoriamente o sistema da Microsoft mas rodassem bem software livre, então tudo isso reduziria significativamente o modelo de software pirata que nós temos e encorajaria o uso de software livre.

Outra coisa importante é o conceito de Padrões Livres (Open Standards). Por exemplo, o formato MP3 é um padrão para música digital, mas tem patentes muito profundas sobre ele. É praticamente impossível criar um tocador de MP3 sem pagar royalty a uma ou mais empresas. O Ogg Vorbis é um padrão de música livre e faz um trabalho melhor que o MP3. O problema é que poucas pessoas o utilizam. Eu tenho um tocador portátil capaz de tocar música Ogg Vorbis. Se nós encorajássemos as empresas a produzir estes aparelhos, recusando modelos que só tocam MP3, ajudaríamos o padrão Ogg Vorbis a ganhar mais e mais suporte. Talvez ficássemos livres de pagar royalties às patentes do MP3.

Nós precisamos ter padrões nas empresas e no governo que sejam implementados livremente, dessa forma as empresas não precisarão pagar royalties. Como encorajamos mais pessoas a utilizarem software livre? Acredito que parte é desenvolver formas novas e inteligentes para as pessoas usarem software livre para reduzir seu custo, o que é mais difícil de fazer usando software proprietário.

Uma dessas maneiras é o modelo de thin client. Você tem servidores que carregam todos os programas e dados do usuário, e uma série de thin clients bem pequenos que apenas acessam os dados e os programas. Utilizando programas da Microsoft, você precisaria de uma licença para cada thin client. Com software livre, você não precisa de nada disso. Então o custo do sistema como um todo é bem mais barato do que seria com software proprietário.

KL: O que é um thin client?

Maddog: Um thin client é basicamente um computador com poder de processamento, memória e conexão de internet suficiente para transferir informação em altas velocidades, mas que não executa os programas em si, e sim no servidor. Isso é importante hoje em dia porque a maioria dos computadores PC hoje são perfeitamente capazes de suportar 8 ou mesmo 10 usuários ao mesmo tempo, particularmente usuários utilizando programas de escritório ou navegando na internet. O thin client pode ter um gasto energético muito reduzido, ser bem pequeno e sem ventoinhas, sendo bem silencioso. Pode até mesmo ser incorporado ou montado atrás de um monitor LCD. Isto significa redução no gasto de energia elétrica, redução na dissipação de calor, redução do barulho numa sala de aula ou escritório e todos os dados e programas estão no servidor. Isto é parte do cenário que o Koolu trará.

KL: O que é o Koolu?

Maddog: Koolu é uma companhia que está trazendo para o mundo um computador de baixo custo, baixo gasto energético e ecológico. Nós acreditamos fortemente no tipo de arquitetura de thin client onde há o mínimo de software no computador do usuário e todo o trabalho é feito por um servidor. Mas, ao contrário de outras companhias, nós também acreditamos que o cliente deve escolher onde o servidor deve ficar. Se ele quiser o servidor bem próximo, no porão de casa ou no seu apartamento, tudo bem. Se preferir guardar os dados bem longe e mantê-los numa solução de armazenamento, também está bem. Nós lhes damos escolhas.

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KL: Já existe algum Koolu funcionando no Brasil?

Maddog: Até agora nós tivemos basicamente demonstrações. As pessoas estão tentando entender o modelo, compreender do que ele é capaz. Muita gente não acredita que essa pequena caixa que usa apenas 15 a 20 watts de energia pode realmente fazer o mesmo trabalho que o computador bem maior sobre a mesa. Assim que as pessoas descobrirem que “sim, pode ser feito” e “nós reconhecemos a rentabilidade do seu modelo”, então eles começarão a comprar mais sistemas.

Kauê Linden: No Brasil, estima-se que 98% dos computadores desktop rodam Windows, mas muitas deles são piratas, cópias pirateadas. O que você pensa sobre isso?

Maddog: Programas piratas são ruins por diversas razões. Em primeiro lugar, dá a entender que não há problema algum em roubar programas, cai na normalidade. Acredito veementemente que, se uma pessoa escreve um programa ou se cria uma música ou pinta um quadro, ela tem o direito de determinar o que acontece com este programa, música ou obra de arte. Tradicionalmente, isto é chamado de direito autoral. Programas piratas prejudicam o mercado de software. Eu acredito que a venda de programa como serviço é o caminho que devemos tomar. Nós deveríamos ter o direito de fazer mudanças no programa.

As coisas mudaram desde 1977, 1980. Existem muito, muito mais pessoas usando computadores. Muito mais pessoas capazes de escrever programas. Existem muito mais pessoas com necessidades diferentes que precisam ser atendidas, e elas não são atendidas por empresas grandes que têm recursos limitados para produzir software. Mesmo a Microsoft é limitada em seus recursos. Eles não podem atender os desejos de cada consumidor. E, mesmo se pudessem, isto não seria lucrativo. Então eles sequer levam isto em consideração.

A lição que o copyright nos dá é que a pirataria de programas é ruim. O que nós deveríamos estar fazendo é dando valor ao copyright, dizendo que o dono do programa tem direito de fazer o que quiser com ele, mas ao mesmo tempo incentivando-o a liberá-lo sobre uma licença livre de forma com que ele possa ser distribuído. Isso ajudaria a todos.

v-forum-288.jpg KL: Para pequenas e médias empresas, qual é a vantagem de usar código aberto?

Maddog: Flexibilidade. Quando se é uma pequena empresa, é bem difícil ter atenção de uma empresa grande como a Microsoft, a Oracle, de qualquer gigante de software. Eles têm milhões de clientes e, mesmo que você tenha um pedido que é muito importante para seu negócio, não será de grande importância para eles devido ao seu pequeno porte. Com software livre e aberto, você pode tomar uma decisão - a sua decisão: se deseja contratar alguém para adaptar o software às suas necessidades ou para consertar um bug que te impede de avançar. Você poderá repassar esta correção à comunidade e nunca mais verá este bug novamente. Isto é uma vantagem.

Outra vantagem é poder expandir o software por seus próprios meios para fazer com que ele tenha funcionalidades que não tem no momento. Por exemplo, o povo que fala swahili (50 milhões de falantes na África) nunca pôde usar um editor de texto em sua própria língua.
Então eles entraram em contato com os programadores do OpenOffice e contrataram um programador para fazer o trabalho. Ele estudou o software, trabalhou no suporte ao swahili e agora o OpenOffice suporta não só uma versão do swahili, mas todos os quatro dialetos. Este é um exemplo de como um grupo de pessoas, uma empresa ou um pequeno grupo pode influenciar um software no universo de código livre. Em produtos de grandes empresas como a Oracle ou a Microsoft, isto seria impraticável.

Kauê Linden: Você acha que a Microsoft está em risco por causa do Linux?

Maddog: Eu acho que a Microsoft está em risco por ter construído seu modelo de negócios em cima da visão do software como um produto. Dessa forma, eles dependem de parceiros para dar suporte como serviço. Se eles trocarem de modelo para vender software como serviço, basicamente colocarão em risco o negócio dos seus parceiros, passarão por cima dos negócios que os parceiros têm. Então a Microsoft está tentando manter os rendimentos vendendo produtos e, ao mesmo tempo, tentam converter a organização para o modelo de serviços sem passar por cima dos parceiros - o que é uma tarefa bem complicada.

KL: Então o Linux não coloca a Microsoft em risco?

Maddog: Não é o Linux em si, mas sim o conceito de software livre, ou software como serviço que coloca a Microsoft em risco.

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KL: Você tem viajado ao Brasil e deu palestras em muitos eventos. O que você pensa da posição brasileira em relação ao software livre? Acha que estamos fazendo bem nosso trabalho?

Maddog: Eu já disse isso publicamente em muitos lugares fora do Brasil: eu acho que o Brasil é uma estrela brilhante no software livre. A comunidade, a indústria e o governo trabalham junto com alguma freqüência para resolver problemas. A comunidade, os empresários e o governo trabalham junto para patrocinar conferências de software livre, o que considero muito importante. Eu acredito que o governo está encorajando empresas a pensar diferentes formas de vender software, vender serviços. Desta forma, os empresários podem fazer a transição de um modelo de software proprietário, de código fechado, para um software livre, de código aberto. E eu reforço essa questão do software livre, porque na verdade conheço muitas empresas que fizeram mais dinheiro com software livre do que faziam com software proprietário “de caixinha”.

Arrumando a casa…

17 Outubro 2007 at 3:27 am | In Pessoal | No Comments
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Depois de algum (diga-se muito) tempo off, resolvi re-ativar este espaço…
Muitas coisas mudaram (e bota muitas nisso) desde o último post (que até apagado foi) na minha vida, mas ao poucos vou colocando a casa em ordem… mudando o layout, adicionando links… e por aí vai…

Aguardem… voltaremos…

Abraços

petersond

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